Segunda-feira, Setembro 19, 2011

Beija-me

"Beija-me": pensava ela enquanto olhava as nuvens que passavam, lentas, no céu.
"Beija-me": pensava ele enquanto, sorridente, olhava um carreiro de formigas apressadas.

"Beija-me, beija-me, beija-me, beija-mebeija-mebeija-mebeijamebeijamebeijame..."

Obsessivamente, aquela palavra percorria-lhes a mente; preenchia-lhes as vontades, aquecia-lhes os
corpos e inquietava-lhes a alma.

Porque é que ele não diz nada? Eu não vou dizer, afinal ele pode não querer - pensou ela.
Porque é que ela não diz nada? Eu não vou dizer, afinal ela pode não querer - pensou ele.

Num instante olharam-se e tentaram ler-se, tentaram decifrar as vontades.

Olharam-se em silêncio... ninguém sabe por quanto tempo.
Coragem! A coragem preencheu-lhe o desejo e disse: - "Beija-me."
Ela sorriu e aproximou-se dele; os corações, acelerados, pareciam querer saltar dos peitos e gritar:
"BEIJA-ME"!

Num repente os seus lábios tocaram-se; os olhos fechados, saboreando cada toque - finalmente beijaram-se e: nesse instante de bocas que se provam partilharam os desejos.
Nada mais seria igual, depois daquele que tinha sido: o seu primeiro beijo.

FG.

1 comments:

mfc disse...

... e finalmente cederam ao desejado!

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