Sexta-feira, Outubro 07, 2011

O Cobarde

O que tu me fizeste é pior do que dar o pão ao faminto e voltar a tirá-lo da sua boca!

Farta de encantos e encantadores, estou eu que já não reconheço a carne que deseja nem a alma que ama.

É tudo uma grande farsa, daquelas ilusões baratas que já nem as crianças acreditam: mas eu acreditei!

Pediste e eu dei: e dei mesmo quando não me pediste - que parva que eu sou.

Deste e depois tiraste e agora foges e foges com medo de me enfrentar: cobarde do mais reles que há! Pois há!

O que tu me fizeste! Mais valia teres-me fechado com a porta na cara: "BAM!" num só gesto: puro, cru e duro - mas sempre mais bondoso do que deixar arrastar as incertezas: no nada, porque já nada resta!

Cobarde! És só mais um cobarde que se deve achar o mais valente de todos - haja um pingo de dignidade, cobarde!

Mas de ti mais nada espero! De um cobarde só a cobardia se pode esperar: lamento, mas nem isso de ti espero.


FG.

Segunda-feira, Outubro 03, 2011

Silêncio

Silêncio
Que o meu coração deixou de bater

De bater por ti

Silêncio

Que a vida está a acordar

Do sonho perdido

Silêncio

Que o beijo petrificou

E em silêncio morre no vazio

SILÊNCIO! - Grito ao mundo

Silêncio que hoje dói-me a alma

Silêncio, silêncio que o teu nome

nunca mais será proferido nestes meus lábios!


FG.

Um dia tudo, um dia nada

De olhos no passado olho o teu sorriso com dor

Saudades dos tempos em que era eu a razão do teu sorrir
Partiste sem uma palavra e deixaste um silêncio ensurdecedor

É insuportável esta solidão com que me cobriste a existência
Num dia deste-me tudo e num dia tudo me tiraste
Hoje sou esta que vês, vazia, vagueando nos meandros das incertezas

Não quero a tua pena, a tua compaixão, nem o teu perdão
Da carne fez-se a pedra que hoje bate no meu peito
E um dia, um dia nem a tua memória me restará
Um dia tu, que foste tudo, nada serás e livre eu caminharei.

FG.

Segunda-feira, Setembro 19, 2011

Discussões

Porque nos magoámos em discussões vazias?
Não interessa quanto tempo duram;
até podem apenas durar um minuto
mas basta um pequeno instante
para que uma palavra
desfira um profundo golpe no outro.
Não interessa a duração,
mas a intensidade
e a cegueira momentânea.
Magoaste-me;
num segundo, magoaste-me e
nem sei se te apercebeste.
Sei que não é a tua intenção e
não é, certamente, a minha.
Porque insistimos
em atirar culpas um ao outro?
De que serve dizer
de quem é a culpa
depois do mal estar feito?
Porque não partilharmos as culpas,
já que partilhamos tanto;
uma vida?
Porque nos magoamos em discussões vazias,
que só terminam quando algum de nós:
pelo bem de ambos;
cala-se,
ignora,
sai de cena,
fecha as cortinas e
vira costas?
Doeu e agora tem de sarar.

FG.

Beija-me

"Beija-me": pensava ela enquanto olhava as nuvens que passavam, lentas, no céu.
"Beija-me": pensava ele enquanto, sorridente, olhava um carreiro de formigas apressadas.

"Beija-me, beija-me, beija-me, beija-mebeija-mebeija-mebeijamebeijamebeijame..."

Obsessivamente, aquela palavra percorria-lhes a mente; preenchia-lhes as vontades, aquecia-lhes os
corpos e inquietava-lhes a alma.

Porque é que ele não diz nada? Eu não vou dizer, afinal ele pode não querer - pensou ela.
Porque é que ela não diz nada? Eu não vou dizer, afinal ela pode não querer - pensou ele.

Num instante olharam-se e tentaram ler-se, tentaram decifrar as vontades.

Olharam-se em silêncio... ninguém sabe por quanto tempo.
Coragem! A coragem preencheu-lhe o desejo e disse: - "Beija-me."
Ela sorriu e aproximou-se dele; os corações, acelerados, pareciam querer saltar dos peitos e gritar:
"BEIJA-ME"!

Num repente os seus lábios tocaram-se; os olhos fechados, saboreando cada toque - finalmente beijaram-se e: nesse instante de bocas que se provam partilharam os desejos.
Nada mais seria igual, depois daquele que tinha sido: o seu primeiro beijo.

FG.

Uma certeza

"Há-de chegar o dia em que já nada mais te digo.

Há-de chegar o momento do adeus.

Há-de chegar o instante em que nos tornamos novamente estranhos.

Há-de chegar o nosso fim e nada restará senão ténues memórias."

FG.

Abismo!!!

ODEIO-TE!!! - Gritava.

ODEIO-TE, AMOR, ODEIO-TE!!! - Gritava enquanto te batia em lágrimas de dor.
ODEIO... te ... - murmurava enquanto te beijava em lágrimas de desejo.
Odeio-me, por tanto te amar... - suspirei.

E foste-te embora, deixando-me mais uma vez sozinha na minha escuridão.

É hoje que me mato! É hoje que me mato! Eu só quero desaparecer!!! - dizia para comigo, enquanto me sentava na berma da ponte e olhava o mundo e nada sentia.
Vazio! - e chorei durante horas, enchendo o rio com a minha insignificância.
Os primeiros raios de sol pintavam o céu do novo dia:
AMO-TE!!! - Gritei enquanto caía e não voltava.

FG.

Joana

Aparentava segurança mas ela era tudo menos isso. Na verdade, ela era a sensibilidade ao extremo e por isso se escondia. Não pensem, erradamente, que era submissa e discreta: pelo contrário, era atrevida e sabia o que queria.
Poucos ficavam indiferentes na sua presença; muitos eram-lhe indiferentes.
Ninguém na pensão sabia o que ela fazia, se tinha família, se tinha amigos: apenas sabiam que se chamava Joana - um vulgar nome sem nada de destaque.
As velhas bem tentavam meter conversa com ela, falando-lhe das novelas, dos escândalos cor-de-rosa e aproveitando para lhe fazerem perguntas; às quais ela simplesmente respondia com um olhar ou um sorriso.

Numa noite, do seu quarto, saíam gemidos, que iam aumentando de volume numa espécie de transe. Os vizinhos ficaram em alerta.
De repente um grito: daqueles como quando a alma abandona o corpo - alguém ligou para a polícia. Os gritos sucederam-se entre gemidos e um cheiro, de velas queimadas, inundava os corredores da pensão. Por fim ouvia-se o crepitar de chamas e um fumo de cheiro intenso e desagradável
Após muito teimarem para que abrisse a porta, sem obterem qualquer resposta a polícia cedeu e arrombou a porta num estrondo.
Um esgar de horror percorreu a face de cada um que ali se encontrava - todo o quarto se encontrava banhado em sangue, muitas velas ardiam em rodopios e Joana pendia do tecto, amarrada numa corda enquanto se mordia ferozmente, arrancando pedaços da sua carne. Nesse instante: num silêncio sepulcral, todos caíram, sem vida, no chão.

No dia seguinte, nenhuma notícia nos jornais, nenhuma reportagem na Tv, ninguém falava no assunto.
Joana descia rapidamente as escadas, para não perder o Autocarro.
Cruzou caminho com o porteiro e largou um "bdia" e um sorriso. Lá em cima numa das janelas, as velhas murmuravam que um dia haviam de saber quem era aquela mulher que acabava de perder o Autocarro.

FG.

Sorrindo por entre a dor

Estou zangado, estou aborrecido, estou furioso e intolerante comigo próprio.
Estou contente, mas ao mesmo tempo, estou triste.
Estou uma confusão de sentimentos ao mesmo tempo, que mal me aguento dentro de mim.
Estou oscilante entre extremos; ora te beijo apaixonadamente, ora te bato enquanto te digo que nada vales.
Não tenho controlo. Só uma angústia crescente.
Aquele que, ontem, eu vi no espelho, já se perdeu no tempo; hoje não o reconheço neste reflexo: hoje não sei quem sou.
Preciso que me agarrem, antes que me destrua: imploro-vos.
Olhem para mim, este farrapo humano, que vos sorri por entre lágrimas: não fujam... esperem... não me deixem só.
Preciso que me digam o quanto valho e para que sirvo; eu já não sei o que aqui faço.
Tenho muitas coisas na vida que me fazem feliz, mas este abismo de incertezas não pára de crescer.
"Ei, tu aí... sim, tu. Queres dar-me a mão e ser meu amigo?"

FG.

Depois...

Das palavras que menos gosto é o "depois" - porque não agora?; pergunto sempre.

Estou farta do "depois falamos".
Estou cansada do "depois fazemos".
Abomino o "depois vemos".
Eu não quero saber do "depois"! É tão mau quanto o "quase".
Diz já, faz aqui, vê agora!
Não adies a vida, ela não espera por ti e amanhã podemos já nem estar aqui.

FG.

Sexta-feira, Agosto 26, 2011

É assim que te quero!


Agarro-te, puxo-te para mim e beijo-te profundamente:
As nossas línguas roçam-se e perscrutam as bocas ávidas.
Deixamo-nos, lentamente, cair no chão e sobre mim te deitas:
 despindo-me as roupas.
Num repente estamos ambos, nus: provando-nos languidamente.

Demoro-me nos teus mamilos e tu demoras-te no meu pescoço, sussurrando o quanto me desejas.
Afastas-me as coxas e abres-me num desejo de sentir o meu gosto: e ali estou eu a escorrer de vontade
Lambes-me, beijas-me, chupas-me e penetras-me com a tua língua e os teus dedos: gemo alto, contorcendo-me de prazer.

Antes de atingir o orgasmo, fecho-me e agarro-te o falo, que já escorre de vontade:

Lambo, beijo e chupo, sem deixar um milímetro por provar: gemes e antes do orgasmo agarras-me e voltas-me a deitar; e sobre mim deixas-te ir, deixas-te perder: dentro de mim.

O teu pénis em contracções desliza dentro do meu ventre e preenche-me: gememos.
As minhas pernas em volta da tua cintura, imploram que me fodas; como se fosse a última vez e tu, cada vez mais fundo, cada vez mais rápido; penetras-me numa dança de gemidos e arfares de prazer.
Os olhos reviram, os corpos suam; sem nunca pararem – pelo contrário, aceleram-se e perdem-se do mundo; só aquele momento importa – tudo o mais cessou de existir.
Assim perdidos, permanecemos, até os orgasmos nos percorrerem os corpos, exaustos e satisfeitos – beijamo-nos num agradecimento intenso.

Por instantes, permanecemos deitados, lado a lado; retomando o fôlego perdido e combinamos ir tomar um lanche a qualquer lado.
Vestimo-nos e regressamos à nossa vida.

Não interessa onde;
Não interessa como;
Não interessa quando;
mas é assim que te quero!

Quarta-feira, Agosto 17, 2011

Angélika Revive

Pedaços soltos:

"de olhos fechados, os nossos lábios beijam-se num momento único, irrepetível, inigualável; guardado nos confins do tempo passado - apenas sobrevivem os retalhos nas nossas memórias imperfeitas e eternamente gravado na essência dos nossos corações fracos"

*

"devagar, dá-me essa dor que te consome o peito e te preenche de medos"

*

"toco nas estrelas com o olhar; por entre suspiros e chamo-te em silêncios. Fecho os olhos e beijo os sonhos que me rodeiam nesta insónia - penso: por entre a escuridão da minha existência, alguns trazem-me luz ao coração e tranquilidade ao espírito - só te peço uma coisa: não me magoes!"

*

"das lágrimas, que caem no abismo da dor; renascem as forças para te continuar a amar até que a morte me beije e me leve consigo para o vazio da tua ausência"

*

"lentamente me abraças e um frio de morte me percorre o corpo todo; lentamente a dor desvanece-se em soluços: por fim tomas-me como tua e bebes do sangue que me percorre as veias... de olhar fixo no infinito do céu, num último arfar, entrego-me: sou tua; leva-me desta vida miserável."

*

"caminhando sobre os pregos da minha agonia percorro os tortuosos caminhos da insanidade que me une; a cada passo um esgar de dor e um sorriso de esperança - sigo-te, persigo-te, vivo-te. caminhando sobre as chamas do desejo mergulho-me em ti e sorvo-te o ardor da paixão que te divide; a cada passo um arfar, um suspiro, um gemido de deleite - sigo-te, persigo-te, vivo-te"

*

"frágil como uma flor; forte como um rochedo - arrebatador: este sentimento a que chamam de amor"

Angélika

Terça-feira, Agosto 16, 2011

Amizade

"Os amigos mostram-te os caminhos possíveis, mas só tu poderás dar os passos em direcção à tua felicidade."
FG.

Sem título

"Conduz-me aos teus desejos mais profundos, deixa-me provar os teus prazeres indizíveis, entrega-te aos meus quentes delírios, possui-me na tua carne sedenta de orgasmos."


FG.

Quinta-feira, Agosto 11, 2011

Foda:

E era tão bom, beijar-te essa boca num roçar de línguas lascivo.
E era tão bom, deitares-te, aqui e agora que estou completamente nua.
E era tão bom, passares as tuas mãos pelas minhas curvas, demorando-te onde eu mais gosto.
E era tão bom, passear a minha língua pelo teu corpo, demorando onde mais gostas.
E era tão bom, eu lamber-te o sexo, hirto de desejo.
E era tão bom, meteres a tua cabeça entre as minhas pernas e beijares o meu sexo.
E era tão bom, puxares-me para ti e penetrares-me, acariciando-me as paredes macias da minha vagina.
E era tão bom, cavalgar-te e entregar-me às tuas investidas.
E era tão bom, gemer e gritar de êxtase, revirando os olhos e encharcando-te de prazer.
E era tão bom, sentir-te pulsar em espasmos de orgasmos, enchendo-me de ti.
E era tão bom, cair para o lado e pedir-te: “outra vez?”

FG.

Manifesto!

Se gostas de mim, gostas por inteiro; caso contrário, tudo não passa de um faz de conta:


Eu não sou só sorrisos, eu também choro.
Eu não sou só abraços, eu também bato.
Eu não sou só amores, eu também odeio.
Eu não sou só fantasias, eu também sou de carne e osso e alma.
Eu não sou só sexo, eu também sinto.
Eu não sou só bonita, eu também sou feia.
Eu não sou só amiguinha, eu também sou filha da puta.
Eu não sou só um passatempo, eu também sou a toda a hora.
Eu não sou só mais uma…
Muito pelo contrário!

FG.

A minha prisão

Das chamas o começo-

o olhar do desespero.
negras melodias preenchem as minhas noites.
enclausurada cravo as unhas nas paredes -
as pontas dos meus dedos são sangue.
fechei-me nesta masmorra e deitei fora a chave.
solidão, profunda solidão: a minha única companhia.
passam dias infindos de
agonias e ódios.
o anoitecer da vida aproxima-se...
das chamas o começo
das chamas o fim
desfaleço e finalmente sou livre: morri.

FG.

Sentidos

Não procuro fazer sentido uma vez que não procuro que me entendas.
FG.

Nada a fazer

Perdi a noção,

perdi o rumo:
não tenho certezas só
vivo da ilusão.

Não sei as horas,
os dias, os meses e
não quero saber
quantos espero até te ter.

Olho o céu, azul, lá no alto: de onde se vê tudo.
Um dia tão perto e, no entanto; cada vez mais longe...

FG.

Poesia de um beijo

Adoro beijar;

como quem tem fome,
como quem deseja,
apaixonadamente.
Adoro beijar;
como quem prova e se delicia.
Adoro beijar
e disfrutar do tocar as línguas,
do explorar as bocas,
o lamber os lábios.
Adoro beijar na boca:
como quem beija na alma.

FG.

Obscura

"Do teu sangue o meu prazer;

a tua dor, o meu alimento;
o teu medo, o meu orgasmo
- impotente, assustada, desesperada:
choras e
eu beijo-te na boca.
Não me podes fugir."

FG.

Not Falling

I'm trying too hard not falling for you, because I know when that happens I'll do everything for your happiness even if that means my own sadness.

I'm trying too hard, not crossing the line and I feel failing.
I want you to go and be happy else where, and I want to be with you every time.
Like someone told me before... No matter what, the end will always be painfull.

FG.

Tentação

Eu tentei porque me tentei.

Pediste e eu dei-me.
Eu tentei – com todas as minhas forças, com toda a minha vontade, com toda a minha paixão – eu tentei.
Eu pedi e tu deste-te; deste-te e eu dei-me: tentamo-nos e caímos.
Caímos fundo, no buraco sem fundo:
e caímos, sempre caindo;
cada vez mais fundo - no buraco sem fundo.
Eu tentei-te e tu tentaste-me: e tentamos.
Tentamos, caímos;
não conseguimos:
Teimosos, voltávamos atrás e
faríamos tudo de novo.
Com todas as nossas forças, com toda a nossa vontade, com toda a nossa paixão – nós tentamos em tentação!

FG.

Quero-te

Olha-me
Seduz-me
Toca-me
Abraça-me
Sussurra-me
Convida-me
Leva-me
Beija-me
Envolve-me
Respira-me
Prova-me
Acaricia-me
Lambe-me
Chupa-me
Mordisca-me
Arranha-me
Abre-me
Penetra-me
Sente-me
Fode-me
Dá-me
Satisfaz-me:
é uma ordem!

FG.

Sexta-feira, Julho 15, 2011

Vida acabada

Numa noite de tempestade, fugi-te.
Tu não me amavas - nunca me amaste: eu não passava dum brinquedo para a tua perversão.
Conquistaste-me com doçuras de palavras, com carinhos e beijinhos: inocente; acreditei-te.
Inocente, eu queria viver: curiosa, eu queria experimentar a vida.
Fugi-te, porque me aprisionaste numa rede de culpa, medo, sexo, depravação, nojo e violência.
Fugi-te, porque me mentiste; porque não queria acabar os meus dias, violentada, culpada, esquecida, falecida.
Metes-me nojo!
Fujo de ti com mais empenho do que se fugisse da morte.
As flores que me oferecias; foram-se transformando em estalos na cara.
As saídas para jantar fora foram substituídas pelas trancas na porta e pelas correntes.
Os beijos carinhosos deram lugar às constantes violações.
Os abraços ternos são os sonhos desfeitos do desprezo.
Odeio-te!
Fugi-te e em lágrimas de medo, caminho, descalça, sozinha; pelas ruelas da cidade
Ao longe uma luz, numa janela denuncia uma insónia e alguém na sua luta; inglória.
Não conheço nada, e a chuva torrencial, magoa-me a pele.
Estou perdida, sozinha e odeio-te e fujo-te mais do que se fugisse da vida.
Choro, exausta e tropeço numa valeta: caio desamparada e a dor… sem reacção vejo um fio de sangue a navegar nas águas do chão – bati com a cabeça no beiral dum degrau.
A dor.
Quero mexer-me, mas o meu corpo não me obedece: grito, grito mais alto e mais alto ainda e ninguém me ouve.
A tempestade, furiosa, fustiga-me o corpo e sinto o abandono da morte.
Choro, grito e choro o ódio que te sinto e assim permaneço até perder os sentidos.
Numa noite de tempestade, fugi-te – já se passaram alguns meses, desde que acordei nesta cama de hospital.
Não sei da minha família, desconfiam que tenham sido mortos; a casa está abandonada e não há vestígios de ninguém há mais de dois anos. O caso foi encerrado: leis.
paraplégica – um grupo de meliantes decidiu pontapear-me enquanto jazia no chão da cidade e partiram-me umas costelas e a coluna -; sozinha no mundo.

Desde o dia que te fugi, nunca mais falei.
Dói. Odeio-te. Odeio-me e sorrio.

FG.

Quem se atreve?

É complicado explicar-me; fazer-me entender por palavras.

É complicado escrutinar a minha alma e transformá-la em pensamentos, em palavras, em frases, em textos.
É complicado lerem-me e entenderem-me sem estarem na minha pele.
Mas não é complicado, conhecerem-me com um olhar, um toque, um beijo, um abraço: partilha.
Basta querer, sem receio, verdadeiramente conhecer-me – Atreves-te?

FG.

Extremos

Eu não sou cinzenta - eu sou a preto e branco.

Eu não tenho meio termo - eu sou tudo ou nada.
Eu não sou estável - eu sou e agora deixei de ser.
Eu sou sim; eu sou não - nunca o talvez.

FG.

Contradição

Neste abraço;
te sussurro:
o quanto te odeio e o quanto te desejo
- tudo faço para fugir de ti;
na tua direcção.
És a minha contradição,
o meu vício:
que me faz gritar
- larga-me enquanto me agarras.

FG.

Terça-feira, Julho 05, 2011

Os dias sem ti

No céu, as nuvens parecem farrapos de linho.

O meu olhar vagueia, sem destino, como se o tempo estivesse parado.
Não vejo nada; nem ninguém,
Nada se destaca,
Nada me chama a atenção.
Até que: Páro!
Fechos os olhos e sinto,
Como num violento espasmo de agonia
O alívio da vida que flui.
Detenho-me na mesma posição: fixando o momento.
Sinto-te, cheiro-te, mas não te alcanço.
Abro os olhos e procuro-te - sei que estás aqui!
Não te vejo.
Percorro apressada todos os caminhos cruzados,
Passando várias vezes no mesmo lugar, sem nunca te vislumbrar,
Páro! Respiro fundo e pressinto-te, cheiro-te.
Penso: será tudo imaginação minha? Estarei a enlouquecer?
Desisto, desiludida, enganada, mas não convencida.
Eu sei que estás ali, mas que foges de mim.
Eu sei que sou o que mais queres e por isso nunca mais te vi.

FG.

Era uma vez

As palavras já não chegam
Fixas-me e ofereces-te: aceito;
Fugimos da multidão.
Longe da confusão metemo-nos num recanto:
Está escuro mas agora vemo-nos com o tactear das mãos.
Encostas os teus lábios aos meus;
e num entrelaçar de línguas provamo-nos.
Agarras-me um dos seios, eu mordo-te um mamilo;
Apalpo-te o sexo quente e erecto: sorrio.
Deslizas a tua mão pelo meu ventre e sentes-me: húmida.
Gemo de antecipação e dispo-te as calças;
Agarro no teu falo e beijo-o sofregamente.
Lambo-te até sentir o teu gosto.
Baixas-me as cuecas e beijas-me o sexo: ardente;
Percorres-me com a língua, penetras-me com os dedos,
Dás-me a provar o meu gosto: gememos e arfamos.
É impossível parar, seguras-me e penetras-me bem fundo.
Abraças-me e na dança da carne contra a carne: fodemos.
Fodemos, fodemos e fodemos: perdemos a noção do espaço e do tempo.
E o sangue flui cada vez mais rápido
As veias pulsam em toda a sua extensão
O olhar fixo no teu - até que o vazio me preenche
Fico cega de prazer e grito desesperos de orgasmos
Abraças-me profundamente, enquanto te dás
Em delírios nos contorcemos arfando: satisfeitos mas não saciados.
Nunca saciados!

FG.

A morte do artista

"Estás a caminhar sobre o desconhecido, incauto - não te apercebes dos perigos.


Passo a passo, o chão vai-te fugindo e não tens onde te agarrares:

Estás sozinho - ninguém a milhas de distância.

Sentes o medo, mas continuas a pisar as areias movediças que te poderão engolir num ápice.

Serás destemido, obcecado ou apenas parvo?

Julgas-te mais forte, mas um dia pagarás com a tua própria vida, quando a um passo do abismo, continuares nesse delírio e caíres qual trapo inútil e usado.

Estarás sozinho e não haverá ninguém a milhas de distância.

A centímetros da morte – onde todos os teus ossos se quebrarão: chorarás e arrependido pedirás perdão: em vão.

Ninguém ouve o barulho da tua queda… excepto os abutres que já te seguiam há muito tempo: ansiosos pela tua teimosia.

A escolha foi tua: pisares o risco, provares o perigo, nunca dando valor ao que sempre tiveste.”

FG.

Frases perdidas

"Abraça-me e encosta os teus lábios aos meus e beija-me segredos."


"Leva-me e enche-me de prazer."

"Entrega-te, sem medos, deixa-me dar-te mais do que aquilo que sonhas."

"Faremos juntos, o sublime acto de foder."

"Sejamos um só corpo, em devastador delírio."

FG.

Confidências

Estendo-te a mão e digo: "toma"; Estendes a tua e recebes sem receios.
Estendes a tua mão e dizes-me: "toma";
Estendo a minha mão e recebo com um sorriso.
Trocamos confidências.
Partilhamos.
Ofereço-te a confiança e tu a segurança.
Do nada, algo nasceu.
Cuidemos, pois parece-me frágil e raro.
Deixemos, que cresça livre e floresça.
Estendo-te a mão e digo: cuida-me.

FG.

Não sei...

Não sei porque te conto: estas coisas tão minhas;

Não sei porque te mostro estas chagas e estas lágrimas;
Não sei porque te escrevo estas palavras: egoísmo?
Não sei porque te canto - desafinada - estas dores;
Não sei porque te cubro de negros véus;
Não sei porque te deixo adormecer no meu colo... silêncios que matam.

FG.

Palavras: inutilidades

Na suavidade do inesperado os nossos caminhos se cruzam;

Não há trocas de palavras: inutilidades.
Sorris-me e eu sigo-te pelos labirintos desconhecidos.
Paramos em frente a uma porta que abres atrapalhado: rio-me ansiosa.
Entramos.
Atrás de nós a porta fecha-se e sem mais demoras - agarras-me: beijamo-nos sofregamente.
Meio vestidos, meio despidos: fodemos.
Fodemos como deve de ser, com muitos ais e muitos uis.
Sem romantismos, sem velas, sem acessórios.
Fodemos como se devia foder sempre: carne com carne, suor e delírios.
Por entre fluidos e gemidos cada um na sua vez atinge a sua morte lenta.
Afinal porque fodemos?
Fodemos porque nos apetece, porque a vontade é maior, porque é esse o nosso desejo.
Não somos amigos.
Não somos sequer conhecidos.
Mas tomamos um duche juntos e voltaste a penetrar-me, estavas insaciável e eu delirava.
O tempo passou, mas nem nos incomodou.
Vestimo-nos e nem nos despedimos com palavras: inutilidades.
Seguimos caminhos diferentes -satisfeitos - sem saber se nos voltaríamos a ver, mas com a certeza de que fodemos bem.

FG.

PS: Até as abelhinhas o fazem, meus amores

... o grito da mulher ignorada

Eu até podia dizer-te o que queres ouvir; mas não.

Eu até podia agarrar-te, fazer-te sentir; mas não.
Eu até podia pensar - em ti; mas não.
Eu até podia chamar pelo teu nome; mas não.
Eu até podia entregar-me-te; mas definitivamente não.
...É a tua vez de rastejares na lama;
Implorares,
Chorares,
Bradares;
Amaldiçoares a tua patética existência.

FG.

PS: Título por Eduardo Ramos.

Mentira

Gostaria de acreditar nas tuas palavras que me soam a promessas: vazias

Tão certo como da noite fazer-se o dia e do dia fazer-se a noite: Mentiras.
És dor certa, que me consome e me faz morrer; um pouco mais depressa.
Para sempre; nunca é demais: morrer-te.

FG.

Quarta-feira, Maio 25, 2011

My Apocalypse – They say it’s the World Crisis

Once:


I had a place I could call home
I had a family I could cherish
I had a meal every time I wanted
I had a job which could support me
I had a bed I could lay down and sleep safely
I had a doctor who could treat me a cold
I had a life I could call – Perfect.


Now:

I’ve lost my job, the whole company bankrupted
My wife left me and I’ve never saw my kids again
I beg for a quarter
I dream with a piece of brad and a hot soup
I’m sick every day
I sleep on the streets, sometimes beaten up just for fun.
I survive waiting for the day I’ll die.

FG.

Sem título

Gostaria de acreditar nas tuas palavras que me soam a promessas: vazias
Tão certo como da noite fazer-se o dia e do dia fazer-se a noite: Mentiras.
És dor certa, que me consome e me faz morrer; um pouco mais depressa.
Para sempre; nunca é demais: morrer-te.
FG.

Waiting for a sign in the sky

Waiting for a sign: in the sky;

While walking through the storm of doubts.

Hard paths ahead ready to be stepped:
I’m not afraid.

Just waiting for a sign: in the sky;
While sleeping away from your arms.

Wondering where you could be:
I’m not afraid.

I’m just…
Waiting for a sign: in the sky;
While fake smiling to the world.

Aching for your loss, crying upon your grave:
I’m not afraid.

I’m waiting for a sing: in the sky;
Waiting for the day I’ll come to you again.

FG.

Sábado, Maio 21, 2011

Vencedora da semana

Passatempo, do programa "Um Poema por Semana" - "Dê um verso ou dois à RTP2"


http://www.rtp.pt/blogs/programas/umpoemaporsemana/?k=Filipa-Mbg.rtp&post=15873

Não ganhei juízo, mas pelo menos deu-me algum destaque ^^

Abraço,
FG.

Quinta-feira, Maio 19, 2011

A Cobarde

Olho-te à distância: sou mais uma estranha – invisível - com quem te cruzas na rua.

Mudo o meu rumo e sigo-te uns passos mais atrás: persigo-te.
Gelaste-me a alma quando cruzaste o teu olhar com o meu; fiquei sem fôlego, sem forças, como se me tivesses sugado a vida.
Persigo-te, invisível; apeteces-me.
Admiro-te, ao longe: toldas-me os sentidos e aqueces-me o prazer; páro. Tento retomar o meu caminho, acordar daquele pesadelo, recuperar-me das loucas fantasias.
Antes de dar meia-volta e para sempre esquecer-te; uma última vez, olho-te e como uma flecha reparo que por entre a multidão os nossos olhares cruzaram de novo: Gelei, paralisei e depois escondi-me – não me procuraste – continuo-te invisível.
Mas eu sou cobarde; por mais que o desejo me asfixiasse eu nunca me aproximei de ti. Nunca trocamos uma palavra. Embora tivéssemos cruzado caminho infinitas vezes; eu sou cobarde e sempre me escondi. Eras demais para mim. Hoje cruzo estas ruas, despidas onde nunca mais te encontrei – desde o dia em que te vi; abraçado a ela, sorridentes e enamorados; desde o dia em que em vez de ir para casa, me atirei da ponte: mergulhando eternamente na minha cobardia.

FG.

Quarta-feira, Maio 18, 2011

Nem sempre as palavras querem ser escritas

Nem sempre as palavras querem ser escritas; Nascem-me difusas na minha mente: dormente,
Vagueiam pelas minhas entranhas e ferem-me.

Agoniada, tento vomitá-las para um texto:
mas nem sempre as palavras querem ser escritas.

Por mais que tente, num vão esforço, elas recusam-se:
a agrupar-se;
a fazer sentido;
a formarem frases;
a caírem no papel.
Nem sempre, o raio das palavras, querem ser escritas
e nesses dias sufoco e sufoco em lágrimas de nadas.

FG.

Tenho saudades de te ler

Tenho saudades de te ler:
nas nuvens do céu;
na lama do chão;
na rugas do velho.

Tenho saudades de te ler:
aborver-te através das palavras -
fazendo-as minhas -
cravá-las na carne e pintá-las na alma.

Tenho saudades de te ler:
tocar-te na alma;
e beijar-te como quem chora as tuas dores.
Tenho saudades de te ler.

FG.

Paixão além vida

Como os raios que rasgam os céus: o sangue corre-me nas veias; a paixão alimenta-me a vida - e faz-me sofrer de prazer.
Hoje sangro: amanha te tenho, profundamente; em mim.
Bebo estas gotas de chuva como quem te bebe a essência do orgasmo.
Faz-te meu - por instantes; serei tua.
Silêncios ensurdecedores dos gritos mudos do nosso prazer.
Tu, em forma de corpo - me tomas e possuis em arfares de instantes eternos.
Eu, rendida te bebo até ao último suspiro: dos corpos suados, alados, cansados que navegam na tempestade - eterna - do efémero prazer.
Desfaçam-se as carnes que nos cobrem os ossos - desfaçam-se os ossos que nos sustentam as formas – informes nos amemos - no infinito abismo da paixão.
Faz-te meu - por instantes eternos; serei tua.

FG.

Mais ninguém te quer como eu

Mais ninguém te toca - como eu - desta forma: suave.

Mais ninguém te beija – como eu – desta forma: terna.
Mais ninguém te abraça – como eu – desta forma: quente.
Mais ninguém te entende – como eu – desta forma: única.
Mais ninguém te ama – como eu – desta forma: indizível.
Desprende-te dessa vida e vem comigo; deixa-te cair, nos meus braços; enquanto te beijo a alma.
Confia em mim… mais ninguém te quer como eu.
Vem comigo, não tenhas medo de mim… mais ninguém te quer como eu – a tua morte.

FG

Decisão pra além da vida

Morramos juntos.

Sim; Morramos juntos porque nos amamos - e é certo que não queremos chorar a morte do outro. Morramos juntos; assim, como vivemos juntos.
Nenhum de nós sofrerá a, definitiva, perda do amor - vivendo a vida mortos por dentro; por isso meu amor: morramos juntos.

FG.

Humildade

Gosto da humildade.

Gosto de quem a pratica - por mais sábio que seja - nunca deixa de ensinar partilhando o seu saber.
Gosto de quem nos olha - olhos nos olhos - e humildemente nos alenta em vez de nos desafiar para um duelo perdido.
Humildade: gosto quando é nobre, ou seja, tem mais a dar ao mundo do que a esconder-lhe.
Detesto a pequenez de quem pensa que sabe tudo e se recusa a aprender pois se julga na perfeição do seu ser. Para esses erroneamente convencidos, tenho uma novidade:
Nunca sabemos tudo!!! - estamos sempre a aprender;
Até no nosso último suspiro: aprendemos a morrer.
Gosto da humildade de quem tem e partilha com o próximo sem pedir nada em troca.
Humildade entre amantes que não se possuem, mas antes, caminham juntos.
Gosto da humildade de um abraço, da humildade de um sorriso: se queres ser meu amigo, tens de ser humilde.
Há quem pense que arrogância é antónimo de humildade, mas engana-se - Não há nada de mais extraordinário do que a humildade de alguém arrogante; sabe que é bom – e é verdadeiramente bom - mostra que é bom, mas partilha o seu conhecimento, humildemente, com os outros entregando-se despido de falácias.
Gosto dos arrogantemente humildes, surpreendem-me sempre.
Por isso já sabes, amigo: mais vale a autenticidade de quem é humilde, do que a arte do engenho de quem se julga alguém e não passa de um ninguém.

FG.

Insanea

Hoje:

Os elefantes sorriem e comem caramelos de todas as cores - são lindos!
Já reparaste que as flores dançam no meu umbigo?
Chovem anti-depressivos lavando as tormentas e os cães abraçam-me num amor incondicional.
Porque choras? justamente hoje que a noite é algodão doce e que conseguimos voar.
Porque choras e tentas acordar-me? Vê como é lindo, o mundo quando os rios nadam nos peixes e as montanhas mergulham na sopa.
Não chores mais - Deixa-me ser: um mundo ao contrário!

FG.

Segunda-feira, Maio 02, 2011

De que foges – tu?

De que foges - tu?
De que te escondes?
Que medos te ensombram?

Olha-te ao espelho: que vês?
Olha-te!
Enfrenta-te!

De que foges – tu?
De ti?
FG.

Já foste

Já foste anjo alado; livre nos seus voos – por vezes dementes.

Já foste anjo caído; prostrado no chão – sempre doente.

Já foste demónio talhado; prisioneiro no orgulho – alma ardente.

Já foste desconhecido; incógnito fugitivo - morte latente.

És - um mistério por desvendar.
FG.

Suspiro último

Acima da escuridão existe todo o peso da nossa dor: que carregamos vergados; até as forças falharem e cairmos desamparados num suspiro, íntimo de solidão.

FG.

Até breve

Sofro por antecipação; a nossa separação,
Ainda nem me fui embora e
já me desfiz em rios de lágrimas.

Agradeço todo o tempo que passamos - juntos;
Agradeço toda a dedicação.
Espero que tenhas gostado, tanto quanto eu, destes dias.

Sei que as condições, nem sempre foram as melhores,
Sei que eu, nem sempre fui a melhor companhia,
Sei que nem tu nem eu, fomos perfeitos, mas:
São estes os melhores dias que temos: juntos;
São estes os tempos que recordaremos;
São estes as memórias gravadas no coração.

Ainda nem me fui embora e
já tenho imensas saudades tuas.
N.A.: texto dedicado aos meus familiares - tão próximos - distantes.

FG.

Já nada é como dantes

Já nada é como dantes:
quando me davas a mão para me ajudares a caminhar

Já nada é como dantes:
quando pegavas em mim e me adormecias na segurança do teu colo

Já nada é como dantes:
quando contavas mil mistérios e eras o mais sábio doas sábios

Já nada é como dantes:
quando a confiança era total e acima de qualquer suspeita

Já nada é como dantes e hoje:
vejo todas as tuas fragilidades, defeitos, medos e toda a magia de meninice se desmorona num negro véu de lamentos.

Já não te conheço, por te conhecer demais.
Cresci, sou adulta e hoje vejo-te e lamento a tua verdade.

Não. Já não vou por aí. Esse já não é o meu caminho - o caminho para a minha felicidade.

Cresci e encontrei a paz, segurança, verdade e felicidade em outrém e juntos seguimos o nosso caminho que já não é o teu.

FG.

Como és capaz?

Como és capaz?
Esta é a pergunta que me corroi as entranhas e caminha por baixo da pele como lâminas afiadas.
Como és capaz?
Como és capaz?
Como és capaz?

...

Quem és tu, afinal?
Lamento - muito - no que te tornaste.
Não te odeio: ainda.

FG.

A um passo do abismo

Com um só gesto,
uma só palavra
destróis muitas vidas.
Tens noção do que poderás fazer?
Tens noção da atrocidade que poderás cometer?
Tens noção que precisas de ajuda?
Tens noção do que és?
Tens noção de quem és?
Tens noção da sua inocência?
Com um só gesto,
destróis a minha vida e a de todos os que te rodeiam - para sempre.
Em tempos foste o meu herói;
Hoje és o vilão que rasteja a sua existência - com ares de realeza.
Ainda não te odeio: ainda.


FG.

Distantes

Porque é que quando estamos distantes, morro de saudades tuas e agora que estamos juntos, só me fazes chorar?
Porque é que ainda me importo?
O que nos separa?
Não sejas assim! Magoas-me com essa atitude.
Não sejas assim - olha para mim: não vez que me dóis?
Gostava de sorrir no teu colo em vez de chorar nas tuas costas.
Não aguento.
Não aguento mais: contigo.
Vamos construir uma distância e sermos felizes - no que imaginamos que cada um é; em vez de sabermos, na realidade, como cada um é.

FG.

Sexta-feira, Abril 29, 2011

Pinceladas de alma

Leio-te - saboreando - a tua alma e sabem-me a doces - as tuas palavras escritas neste pedaço de papel.

Não é tarde, nem é cedo; para dizê-lo: fazes-me bem como uma brisa fresca no pico do Verão.
Leio-te; e sorrio com as pinceladas de cor que me dás no espírito: não é tarde - nem é cedo;

É hoje, aqui e agora que me desfaço neste texto - toda eu - Luz.

FG.

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